terça-feira, 5 de maio de 2020

Uma das principais leis do mar – quem é do mar se ajuda em caso de necessidade!


Em dezembro de 2019 fui procurado pelo Gustavo Carneiro Leão, tripulante, e pelo Álvaro da Fonte, proprietário e comandante, do trimarã “Centauro”, de Recife, irmão gêmeo do “Trovão”. Eles estavam enfrentando um sério problema e esperavam que eu pudesse ajudar.



Durante uma regata aconteceu um dos maiores temores dos velejadores de multicascos - um beam (travessa) que liga os cascos quebrou e eles só não sofreram um acidente mais grave porque tiveram perícia para, rapidamente, contornar a situação.


A experiência prévia do comandante Álvaro, tanto com o próprio “Centauro” que, uns 9 anos antes, recém comprado, rompeu a travessa de popa, como com o famoso trimarã “Nativo” que, na REFENO de 2014, rompeu os dois beams e acabou naufragando, e de cuja tripulação o comandante Álvaro fazia parte, foram decisivas para evitar que o acidente tivesse consequências mais graves.

Álvaro relata que, ao escutar o estralo, instantaneamente se deu conta que era o mesmo ruído que escutou no “Nativo” por duas vezes seguidas, quando da ruptura das travessas. Imediatamente aproou o barco e mandou baixar os panos, para reduzir os esforços sobre a mastreação e, consequentemente, sobre a estrutura do barco. Em seguida, ligou o motor e seguiu, em velocidade reduzida, para o clube, enquanto a tripulação providenciava uma amarração emergencial para evitar que a travessa quebrada batesse contra o costado do casco central e causasse ainda mais danos.



Mas, agora, eles precisavam construir um novo beam para substituir o rompido, mas não tinham as especificações nem as dimensões corretas para isso.



Pesquisaram na internet, procurando outros proprietários do modelo SeaClipper 28, e acabaram me encontrando. E deram sorte pois, logo que adquiri o “Trovão”, encomendei do projetista, nos EUA, um jogo de plantas do barco, já antecipando as reformas que eu sabia que teria que acabar fazendo eventualmente. E, dentre essas plantas, tem uma mostrando as travessas de maneira bem detalhada, com as dimensões exatas e as especificações do material. Bingo! O pessoal do “Centauro” acertou na mosca!


Passei uma cópia digitalizada da planta, eles contrataram um marceneiro no Recife mesmo e puseram mãos-à-obra para construir o novo beam frontal e devolver o “Centauro” o quanto antes para o seu habitat natural – o mar!



O acidente do “Centauro”  fez acender um alerta na minha mente – o “Trovão” tem mais ou menos a mesma idade e, até onde eu sei, seus beams ainda são originais, ou seja, é importante eu dar uma boa revisada neles para não levar o mesmo susto que eles tiveram. O ideal mesmo, por precaução, é substituir os beams atuais, com 40 anos de idade e em estado de conservação desconhecido, por novos. Mais um item para a lista (que só cresce...)! Mas é sempre preferível trocar antes de quebrar...

O beam do “Centauro” ficou pronto, perfeito, foi montado e o barco voltou para a água. E para minha alegria, fiquei sabendo, esses dias, que foi o primeiro multicasco a cruzar a linha de chegada da primeira regata em que participou depois de consertado, tudo isso sem ter sido testado antes.



Recebi os agradecimentos efusivos do comandante Álvaro – meu caro, não é preciso me agradecer, apenas faça o mesmo ao próximo velejador em necessidade que encontrar. 

Afinal, quem é do mar sempre se ajuda em caso de aperto. Sucesso ao “Centauro” e à sua tripulação!

P.S. – O interessante de conversar com outros proprietários do mesmo modelo de barco que se tem é poder trocar ideias sobre as diferentes soluções que cada um deu para as questões e problemas que vão surgindo. Por exemplo, o comandante Álvaro está me dando ótimas ideias sobre o gurupés que pretendo instalar no “Trovão” e, também, sobre os trampolins (redes) que ficam entre os cascos.









sábado, 2 de maio de 2020

“Trovão” deixou de ser apenas o meu apelido náutico!



Desde maio do ano passado, ou seja, há praticamente um ano, que “Trovão” deixou de ser apenas o meu apelido náutico e passou a ser, também (e finalmente) o nome do meu barco!

O barco, no caso, um velho trimarã amarelinho (batizado de “Trim”) que encontramos, minha esposa Lu(ciana) e eu, “largado” há tempo (e “no tempo”) sobre uma carreta, no gramado do CNT-Clube Náutico Tapense. O "Trim" é um SeaClipper 28, projetado pela dupla Jim Brown/John Marples.


Não vou mentir pra vocês – pelo tempo que o barco estava abandonado às intempéries, o aspecto dele estava bem feinho. Sujo, cheio de mofo e, quando abrimos a cabine, SURPRESA!!! – dois palmos de água dentro. A Lu ficou entre me olhar com cara de incrédula/apavorada e sair correndo logo dali. Confesso que também me assustei inicialmente com a visão. Mas, passado o susto, o “racional” tomou conta – o barco está no seco, logo, essa água só pode ter entrado por cima (chuva); além disso, entrou mas não saiu, o que quer dizer que o casco está íntegro, sem vazamentos, e isso é bom!




Bom, passado o susto inicial e considerando o trabalho que teríamos para limpar, consertar e deixar o barco em condições de uso, fizemos uma proposta ao vendedor que não era muito mais do que o valor das dívidas acumuladas junto ao clube pela estada do barco durante alguns anos. Uma vez aceita, passamos à fase seguinte – “Operação Faxina Pesada”!

Como a cidade de Tapes, onde estava o barco, fica a um pouco mais de 100 km de Porto Alegre, onde moramos e trabalhamos, íamos mexer no barco aos finais de semana, às vezes com a companhia de familiares e amigos, gentilmente “intimados” a ajudar, atraídos pela promessa de futuras velejadas.

Na base do escovão, água sanitária, lava-jato, etc. e muito “muque” (braço), conseguimos, aos poucos, ir removendo a sujeira acumulada pelos anos de descaso, tornando o barco (um pouco mais) habitável.





Finalmente, depois de mais de um mês indo a Tapes trabalhar no barco aos finais de semana, resolvemos aproveitar um feriadão para trazê-lo para sua nova casa – o Clube dos Jangadeiros, em Porto Alegre, onde tive minha iniciação na vela há quase 50 anos, pelas mãos do meu pai, que velejava desde a (sua) adolescência. Mas antes, precisávamos resolver um “pequeno” detalhe – como colocar o barco na água, pois não havia rampa nem guindaste. Contratei uma retroescavadeira com um operador super safo, que resolveu a questão num piscar de olhos – muito mais fácil do que eu antecipei.


Missão n.º 1 cumprida – o barco estava na água! Flutuando e sem vazamentos.



Enquanto meus pais decidiram pernoitar num hotel próximo do clube, a Lu e eu resolvemos dormir a primeira noite no barco, para curtir a novidade. O problema é que, além do frio, a cabine do “Trim” (futuro “Trovão”) é bastante acanhada e as camas são bem estreitas. Em resumo, dormimos como sardinhas enlatadas.


Com a tripulação reforçada pelo meu pai, encaramos, nós três, trazer o barco navegando pelas 65 milhas náuticas da Lagoa dos Patos e do Rio Guaíba. O plano era sair de Tapes bem cedo ao amanhecer, para evitar de chegar muito tarde e ter que atravessar a noite navegando num barco ainda desconhecido para nós. Mas os planos têm uma maneira bem própria de se realizarem, geralmente diferente da que imaginamos.




A saída atrasou, o vento demorou a entrar, quando entrou era da direção desfavorável, as ondas estavam bem picadas... vocês entenderam a situação, certo? Acabamos fazendo o percurso em aproximadamente 15 horas, motorando o tempo todo, com ajuda da genoa, pois o vento, entre 10 e 15 nós de intensidade, era exatamente “na cara” – paciência - e, além disso, os “torpedinhos” da testa da vela mestra estavam com folga nas costuras (decorrente da idade) e acavalavam no trilho do mastro, impedindo a vela de ser içada! Mas o dia estava lindo e o por-do-sol na lagoa foi fantástico!





Ao entrarmos no Guaíba, em Itapuã, já era noite fechada, tipo 21:30/22:00, e fazia um friozinho razoável (~15°C).

Por outro lado, entrar no Guaíba, o nosso “quintal”, trouxe uma sensação de familiaridade, uma tranquilidade decorrente do conhecimento, que ajudou a relaxar e tornar as últimas horas da travessia mais sossegadas. Finalmente, ao redor da 01:00 da madrugada chegamos ao nosso destino. O cansaço e o alívio eram tamanhos que só atracamos o barco e “desmaiamos” ali mesmo.




Missão n.º 2 cumprida – o barco estava finalmente em casa!


Nos próximos posts vou contar um pouco das primeiras navegadas, dos consertos que temos que ir fazendo, da cerimônia da troca de nome do barco, que contou com a ilustre presença de Netuno, e outras aventuras.
Missões n.ºs 3, 4, 5, ... ainda por cumprir!
Abraços e bons ventos!

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Nova postagem, depois de muito tempo!

Depois de um enorme hiato de postagens, hoje estou reativando o blog para retomar a comunicação com que me acompanha e tem interesse por assuntos ligados à náutica, especialmente à vela/iatismo.

Para tirar a “ferrugem” do teclado, vou iniciar postando, ao longo dos próximos dias, alguns dos testes de veleiros que realizei, vários deles publicados pela RevistaNáutica.

E para começar, vou postar o teste do catamarã Leopard 48, realizado em Santos num dia bastante ventoso, o que permitiu explorar mais o barco.
Boa leitura e curta as imagens do grande fotógrafo Alberto de Abreu Sodré (o "Cação")!

P.S. - Aproveitei e postei, também, algumas fotos que acabaram ficando de fora da edição da matéria.













quinta-feira, 10 de abril de 2014

Palestra no Rio Boat Show

Sexta-feira, 11/04, estarei participando como um dos palestrantes convidados, da palestra organizada pelo Jorge Nasseh, da Barracuda Composites sobre construção de embarcações. Quem puder, apareça!!!


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Os horários do 8º Boat Xperience mudaram

Para o próximo final de semana, 31/01 e 01 e 02/02, a feira vai abrir às 14:00 e encerrar às 22:00.